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Ensino Médio - Português
Escrito por Milena Queiroz Gonçalves Santos   
Qui, 30 de Abril de 2009 11:00

Professor particular de inglês
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Língua Portuguesa

O Tesouro – Eça de Queirós

ESTRUTURA DA ACÇÃO

  • Introdução (dois primeiros parágrafos) – Apresentação das personagens e descrição do ambiente em que vivem;
  • Desenvolvimento (até ao penúltimo parágrafo) – Descoberta do tesouro, decisão de partilha e esforços para eliminar os concorrentes;
  • Conclusão (dois últimos parágrafos) – Situação final.

Da conclusão infere-se que, se considerarmos a história dos "três irmãos de Medranhos", estamos perante uma narrativa fechada ; ao invés, se nos centrarmos sobre o "tesouro", teremos de considerar a narrativa aberta , dado que ele continua por descobrir ("...ainda lá está, na mata de Roquelanes.").

Por sua vez, o desenvolvimento tem também uma estrutura tripartida:

  • Descoberta do tesouro e decisão de o partilhar;
  • Rui e Rostabal decidem matar Guanes; morte de Guanes; morte de Rostabal;
  • Rui apodera-se do cofre e morre envenenado.

A articulação das sequências narrativas ( momentos de avanço ) faz-se por encadeamento. Os momentos de pausa abrem e fecham a narrativa e interrompem regularmente a narração com descrições (espaço, objectos, personagens) e reflexões.

 

PERSONAGENS

 

CARACTERIZAÇÃO FÍSICA

CARACTERIZAÇÃO PSICOLÓGICA

RUI

gordo e ruivo

avisado, calculista, traiçoeiro

GUANES

pele negra, pescoço de grou, enrugado

desconfiado, calculista, traiçoeiro

ROSTABAL

alto, cabelo comprido, barba longa, olhos raiados de sangue

ingénuo, impulsivo

Predomina o processo de caracterização directa , visto que a maior parte das informações são-nos dadas pelo narrador. No entanto, os traços de traição e premeditação de Rui e Guanes são deduzidos a partir do seu comportamento ( caracterização indirecta ).

As personagens começam por ser apresentadas colectivamente ("Os três irmãos de Medranhos..."), mas, á medida que a acção progride, a sua caracterização vai-se individualizando, como que sublinhando o predomínio do egoísmo individual sobre a aparente fraternidade.

 

TEMPO

Tempo histórico – A referência ao "Reino das Astúrias" permite localizar a acção por volta do século IX, já que os árabes invadiram a península ibérica no século VIII (a ocupação iniciou-se em 711 e prolongou-se por vários anos, sem nunca ter sido concluída); por outro lado, no século X encontramos já constituído o Reino de Leão, que sucedeu ao das Astúrias.

Tempo da história – A acção decorre entre o Inverno e a Primavera, mas concentra-se num domingo de Primavera, estendendo-se de manhã até à noite.

O Inverno está conotado com a escuridão, a noite, o sono, a morte. E é no Inverno que nos são apresentadas as personagens, envoltas na decadência económica, no isolamento social e na degradação moral ("E a miséria tornara estes senhores mais bravios que lobos."). Por sua vez, a Primavera tem uma conotação positiva, associa-se à luz, à cor, ao renascimento da natureza, sugere uma vida nova, enquanto o domingo é um dia santo, favorável ao renascimento espiritual.

A acção central inicia-se na manhã de domingo e progride durante o dia. À medida que a noite se aproxima a tragédia vai-se preparando. Quando tudo termina, com a morte sucessiva dos irmãos, a noite está a surgir ("Anoiteceu.").

Tempo do discurso – A acção estende-se do Inverno à Primavera e o seu núcleo central concentra-se num dia, desde a manhã até à noite. A condensação de um tempo da história tão longo (presumivelmente três ou quatro meses) numa narrativa curta (conto) implica a utilização sistemática de sumários ou resumos (processo pelo qual o tempo do discurso é menor do que o tempo da história). Nos momentos mais significativos da acção (decisão de repartir o tesouro e partilha das chaves, bem como a argumentação de Rui para excluir Guanes da partilha) o tempo do discurso tende para a isocronia (igual duração do tempo da história e do tempo do discurso), sem no entanto a atingir.

É possível também identificar no texto um outro processo de redução do tempo da história, que é a elipse (eliminação, do discurso, de períodos mais ou menos longos da história). A parte inicial da acção é localizada no Inverno ("...passavam eles as tardes desse Inverno...") e logo a seguir o narrador remete-nos para a Primavera ("Ora, na Primavera, por uma silenciosa manhã de domingo...").

Quanta à ordenação dos acontecimentos, predomina o respeito pela sequência cronológica. Só na parte final nos surge uma analepse (recuo no tempo), quando o narrador abandona a postura de observador e adopta uma focalização omnisciente , para revelar o modo como Guanes tinha planeado o envenenamento dos irmãos, manifestando dessa forma a natureza traiçoeira do seu carácter.

Frequentemente, a analepse permite esconder do narratário pormenores importantes para a compreensão dos acontecimentos, mantendo assim um suspense favorável à tensão dramática.

 

ESPAÇO

A acção é localizada nas Astúrias e decorre, a parte inicial, nos "Paços de Medranhos" e, a parte central, na mata de Roquelanes. Somente o episódio do envenenamento do vinho é situado num local um pouco mais longínquo, na vila de Retorquilho.

O paço dos Medranhos é descrito negativamente, por exclusão ("...a que o vento da serra levara vidraça e telha..."), e os três irmãos circulam entre a cozinha (sem lume, nem comida) e a estrebaria, onde dormem, "para aproveitar o calor das três éguas lazarentas".

O facto de três fidalgos passarem os seus dias entre a cozinha e a estrebaria, os lugares menos nobres de um palácio, é significativo: caracteriza bem o grau de decadência económica em que vivem. A miséria em que vivem é acompanhada por uma degradação moral que o narrador não esconde ("E a miséria tornara estes senhores mais bravios que lobos.").

De igual modo, o espaço exterior, a mata de Roquelanes, não é um simples cenário onde decorre a acção. As descrições da natureza têm também um carácter significativo. A "relva nova de Abril", manifestação visível do renascimento da natureza, sugere o renascimento espiritual que as personagens, como veremos, não são capazes de concretizar. Do mesmo modo, a "moita de espinheiros" e a "cova de rocha" simbolizam as dificuldades, os sacrifícios, que é necessário enfrentar para alcançar o objecto pretendido — são obstáculos que é necessário ultrapassar.

A natureza, calma, pacífica, renascente ("...um fio de água, brotando entre rochas, caía sobre uma vasta laje escavada, onde fazia como um tanque, claro e quieto, antes de se escoar para as relvas altas."), contrasta com o espaço interior das personagens, que facilmente imaginamos inquietas, agitadas, perturbadas pela visão do ouro e ansiosas por dele se apoderarem, com exclusão dos demais. Enquanto isso "as duas éguas retouçavam a boa erva pintalgada de papoulas e botões-de-ouro". Esse contraste tinha já sido posto em evidência antes, depois dos três terem contemplado o ouro ("...estalaram a rir, num riso de tão larga rajada que as folhas tenras dos olmos, em roda, tremiam..."). E, quando Rui e Rostabal esperam, emboscados, o irmão, "um vento leve arrepiou na encosta as folhas dos álamos", como se a natureza sentisse o horror do crime que estava para ser cometido. Depois de assassinado Guanes, os dois regressam à "clareira onde o sol já não dourava as folhas".

 

SIMBOLOGIA

À leitura do conto ressalta de imediato a referência insistente ao número três , de todos os números aquele que carrega maior carga simbólica.

Desde logo, são três os irmãos; e o três é também um símbolo da família — pai, mãe, filho(s). Mas aqui encontramos uma família truncada, imperfeita — nem pais, nem filhos, apenas três irmãos. Não há, aliás, a mais leve referência aos progenitores dos fidalgos de Medranhos, como se eles nunca tivessem existido. Essa ausência da narração é, de certo modo, um símbolo da sua ausência na educação dos filhos. Sem a presença modeladora dos pais (ou alguém que os substituísse), Rui, Guanes e Rostabal dificilmente poderiam desenvolver sentimentos humanos: vivem como "lobos", porque — imaginamos nós — cresceram como lobos.

Eles próprios não foram capazes de constituir uma família verdadeira, do mesmo modo que os três, apesar dos laços de sangue e de viverem juntos, não formam uma família e sempre pela mesma razão: porque são incapazes de sentir o amor.

O tesouro está guardado num cofre . Um cofre protege, preserva, permite que o seu conteúdo permaneça intocado ao longo do tempo. A sua utilização é significativa do carácter precioso do conteúdo. Igualmente significativo é o facto de o cofre ser de ferro, material resistente, simultaneamente, à força e à corrupção.

Três fechaduras — novamente o número "três"! — preservam o conteúdo do cofre (Da curiosidade? Da cobiça? Da apropriação indevida?...), mas três chaves permitem abri-lo sem dificuldade. Note-se: nenhuma delas, só por si, mas as três em conjunto. O simbolismo aqui é evidente. Só a cooperação dos três proprietários permite aceder ao tesouro. É pela solidariedade, pela cooperação, pela convergência de interesses e esforços que é possível alcançar o "tesouro" por todos almejado. Foi apenas porque, momentaneamente, os três cooperaram, que lhes foi permitido contemplar o "tesouro". E porque não souberam manter esse espírito de cooperação, não lhes foi permitido possuir o "tesouro".

E quando Rui expõe a estratégia a seguir, o número "três" volta a aparecer insistentemente ("...três alforges de couro, três maquias de cevada, três empadões de carne e três botelhas de vinho."), como que a sublinhar o irredutível individualismo que os vai conduzir à tragédia.

Por outro lado, o ouro , material precioso e incorruptível, é ele próprio símbolo de perfeição. Obviamente, para além do seu valor material, simboliza a salvação, a elevação a uma forma superior de vida, mais espiritual, menos animal. É esse o verdadeiro bem, o verdadeiro tesouro. Os fidalgos de Medranhos vivem mergulhados na decadência material e na degradação moral. Não se lhes conhece uma actividade útil, um sentimento mais elevado, um afecto. Vivem com os animais e como animais. Mas para eles, como para todo o ser humano, há uma possibilidade de redenção. O "tesouro" está ali, à sua frente, é possível alcançá-lo; mas, para isso, é necessário enfrentar dificuldades, largar a cobiça, vencer o egoísmo, criar laços de solidariedade e verdadeira fraternidade.

É possível encontrar no conto outros símbolos. Vimos já o significado que o Inverno , a Primavera , o domingo assumem neste contexto. Mas há também a água , símbolo de vida (vemo-la na clareira, escoando-se por entre a relva que cresce e Rui procura combater o veneno com ela) e de purificação (com a água, Rostabal pretende livrar-se do sangue do irmão que assassinou). O dístico em letras árabes mal legível, remete para um passado distante, mítico, um tempo de paz, equilíbrio e perfeição, uma idade de ouro que poderá ser recuperada por quem conseguir encontrar o "tesouro.

 

INDÍCIOS TRÁGICOS

Frequentemente, na narrativa, a tragédia é anunciada antecipadamente por indícios, que as personagens ignoram, mas não passam despercebidos ao leitor atento. É o caso da cantiga que Guanes entoa ao dirigir-se à vila e continua a cantarolar quando regressa.

Olé! Olé!
Sale la cruz de la iglesia,
Vestida de negro luto...

A "cruz" e o "negro luto" são referências claras à morte que Guanes planeia para os irmãos. Mas ironicamente prenuncia também a sua própria morte. Como se vê, nenhuma das três personagens é capaz de reconhecer esse sinal.

Outro indício trágico são as duas garrafas que Guanes trouxe de Retorquilho. Rui estranha o facto, mas não suspeita da traição. Se as personagens fossem capazes de interpretar esses indícios poderiam fugir ao destino. Mas são incapazes disso e é desse lento aproximar do desenlace e da incapacidade das personagens para o evitar que resulta a dimensão trágica da narrativa.

 

Os Lusíadas-Luis de Camões

Luís de Camões

 

Não existem dados concretos sobre a data e o local do seu nascimento. Filho de Simão Vaz de Camões e de Ana de Sá e Macedo, Luís Vaz de Camões terá feito os estudos literários e filosóficos em Coimbra, tendo como protector o seu tio paterno, D. Bento de Camões, frade de Santa Cruz e chanceler da Universidade. Tudo parece indicar que pertencia à pequena nobreza. Atribuem-se-lhe vários desterros, sendo um para Ceuta, onde se bateu como soldado e  em combate perdeu o olho direito. A tal perda se refere na Canção Lembrança da Longa Saudade.

De regresso a Lisboa, é preso, em 1552, em consequência de uma rixa com um funcionário da Corte, e metido na cadeia do Tronco. Em 1553, saiu, inteiramente perdoado pelo agredido e pelo rei, conforme se lê numa carta enviada da Índia, para onde partiu nesse mesmo ano, quer para mais facilmente obter perdão, quer para se libertar da vida lisboeta, que o não contentava.

Segundo alguns leitores, terá composto por essa altura o primeiro canto de Os Lusíadas.

Na Índia não foi feliz. Goa decepcionou-o, como se pode ler no soneto Cá nesta Babilónia donde mana.

 Tomou parte em várias expedições militares e, numa delas, no Cabo Guardafui, escreve uma das mais belas canções: Junto dum seco, fero e estéril monte.

 Vai depois para Macau, onde exerce o cargo de provedor-mor de defuntos e ausentes, e escreve, na gruta hoje reconhecida pelo seu nome, mais seis Cantos do famoso poema épico. Volta a Goa, naufraga na viagem na foz do Rio Mecom, mas salva-se, nadando com um braço e erguendo com o outro, acima das vagas, o manuscrito da imortal epopeia, facto documentado no Canto X, 128. Nesse naufrágio viu morrer a sua "Dinamene", rapariga chinesa que se lhe tinha afeiçoado. A esta fatídica morte dedicou os famosos sonetos do ciclo Dinamene, entre os quais se destaca Ah! Minha Dinamene! Assim deixaste.

 Em Goa sofre caluniosas acusações, dolorosas perseguições e duros trabalhos, vindo Diogo do Couto a encontrá-lo em Moçambique, em 1568, "tão pobre que comia de amigos", trabalhando n'Os Lusíadas

 e no seu Parnaso,

 "livro de muita erudição, doutrina e filosofia", segundo o mesmo autor.

Em 1569, após 16 anos de desterro, regressa a Lisboa, tendo os seus amigos pago as dívidas e comprado o passaporte. Só três anos mais tarde consegue obter a publicação da primeira edição de Os Lusíadas,

 que lhe valeu de D. Sebastião, a quem era dedicado, uma tença anual de 15 000 réis pelo prazo de três anos e renovado pela última vez em 1582 a favor de sua mãe, que lhe sobreviveu. Os últimos anos de Camões foram amargurados pela doença e pela miséria. Reza a tradição que se não morreu de fome foi devido à solicitude de um escravo Jau, trazido da Índia, que ia de noite, sem o poeta saber, mendigar de porta em porta o pão do dia seguinte. O certo é que morreu a 10 de Junho de 1580, sendo o seu enterro feito a expensas de uma instituição de beneficência, a Companhia dos Cortesãos. Um fidalgo letrado seu amigo mandou inscrever-lhe na campa rasa um epitáfio significativo: "Aqui jaz Luís de Camões, príncipe dos poetas do seu tempo. Viveu pobre e miseravelmente, e assim morreu."

Se a escassez de documentos e os registos autobiográficos da sua obra ajudaram a construir uma imagem lendária de poeta miserável, exilado e infeliz no amor, que foi exaltada pelos românticos (Camões, o poeta maldito, vítima do destino, incompreendido, abandonado pelo amor e solitário), uma outra faceta ressalta da sua vida. É, de facto, Camões um homem determinado, humanista, pensador, viajado, aventureiro, experiente, que se deslumbra com a descoberta de novos mundos e de "Outro ser civilizacional". Por isso, diz Jorge de Sena: "Se pouco sabemos de Camões, biograficamente falando, tudo sabemos da sua persona poética, já que não muitos poetas em qualquer tempo transformaram a sua própria experiência e pensamento numa tal reveladora obra de arte como a poesia de Camões."

Bibliografia:  Composições em medida velha; Composições em medida nova; Epístolas; Os Lusíadas, 1572; Anfitriões, 1587; Filomeno, 1587; El-Rei Seleuco, 1645


Características da epopeia

 

Diagrama radial


Estrutura externa

-Preposição – canto I, estrofes 1, 3

-Invocação – canto I, estrofes 4, 5

-Dedicatória – canto I, estrofes 6, 18

-Consílio dos Deuses­ – canto I, estrofes 19, 41

-Formosíssima Maria – canto III, estrofes 102, 106

-Inês de Castro – canto III, estrofes 118, 135

-Batalha de Aljubarrota – canto IV, estrofes 28, 45

-Despedidas Em Belém – canto IV, estrofes 83, 93

-Velho Do Restelo – canto IV, estrofes 94, 104

-O Adamastor – canto V, estrofes 37, 60

-A Tempestade – canto VI, estrofes 70, 93

 

Estrutura Interna

 

-Preposição

-Invocação

-Dedicatória

-Narração

 

 

Planos narrativos da Narração:

 

-História de Portugal (plano encaixado)

-Viagem de Vasco Da Gama (plano fulcral)

-Intervenção dos Deuses (plano paralelo)

-Intervenções do Poeta

 

 

Estrutura formal das estrofes:

 

-Versos decassilábicos

-Oito versos (oitavas)

-Esquema rimático (abababcc), com rima cruzada nos seis primeiros versos e emparelhada nos dois últimos

Consílio dos Deuses-Estrutura

-e dirigem-se ao Olimpo, onde se situa o governo da humana gente. “Quando os Deuses no Olimpo Luminoso, Onde o governo está da humana gente se ajuntam em consílio glorioso”

-Vindos dos quatro cantos do mundo para decidirem se irão ajudar e valorizar o que os portugueses batalharam pelo seu futuro no Oriente.

-A atitude de Júpiter está de acordo com o seu papel de responsabilidade, sublime,dino,alto,severo e soberano

 

Discurso de Júpiter

 

Júpiter começa a dizer que o destino tornará os Portugueses superiores aos povos da antiguidade.

Depois de se referir ao passado glorioso contra Mouros e Castelhanos, enuncia alguns herois da história do passado, como Viriato e o astuto Sertório, que lutaram contra os Romanos e refere o presente de ousadia e persistência, aventurando-se pelo mar desconhecido para chegar ao Oriente

 

Intervenções de Baco,Vénus e Marte

 

Os deuses foram intervindo ora contra ora a favor dos portugueses.

Baco manifesta-se contra, com receio de que a sua fama fosse esquecida no Oriente depois dos portugueses.

Vénus pronuncia-se contra Baco, pois gostava muito dos portugueses: Pela semelhança com os romanos não só na coragem e êxito contra os Mouros, mas tam´bem pela semelhança da língua que falam.

Existem apoiantes dos dois lados e instala-se a confusão no Olimpo.

Marte intervém a favor de Vénus,interpelando para que Jupiter fizesse cumprir as determinações já tomadas.


 

Júpiter concorda com as palavras de Marte, pelo que fica decidido que os Portugueses serão ajudados a chegar à India

 

Morte de Inês-Estrutura

 

1)      Considerações iniciais

 

Vasco da Gama relata ao rei de Melinde o episódio trágico de Inês de Castro, cujo responsável é o amor, o causador da sua morte.

 

2) A felicidade de Inês

 

Inês vivia tranquilamente nos campos do Mondengo, rodeada por uma natureza alegre e amena, recordando a felicidade vivida com D.Pedro o seu amor.

 

O narrador, vai introduzindo indícios de que essa felicidade não será duradoira e terá um fim cruel.

“Naquele engano da alma,ledo e cego”

“Que a fortuna não deixa durar muito”

“De noite, em doces sonhos que mentiam”

 

3) Condenação de Inês

 

D.Afonso IV vendo que não conseguia casar o filho em conformidade com as necessidades do Reino, decide pela morte de Inês.

 

Os algozes trazem-na perante o rei.

 

O rei vacila,apiedado, mas as razões do Reino levam-no a prosseguir

 

4) Discurso de Inês

 

Inês inicia a sua defesa apelando à piedade do rei através:

 

-do apelo ao desterro

-da afirmação da sua inocência

-do respeito devido às crianças

-das feras e das aves de rapina que se humanizaram ao cuidarem de crianças indefesas

 

5) Sentença e execução de morte

 

O rei mostra-se sensibilizado mas, uma vez mais, as razões do Reino e os murmurios do Povo são mais fortes e a sua inocência e a sua determinação mantém-se.

 

Inês é executada

 

6) Considerações finais

 

O narrador repudia a morte de Inês que compara à da própia natureza. As lágrimas das ninfas do Mondego fazem nascer a fonte dos amores,eternizando esta tragédia.

 

7) Vingança de D.Pedro

Quando sobe ao trono,vinga-se mandando matar os carrascos de Inês

 

Batalha de Aljubarrota

 

A trombeta castelhana dá o sinal para a guerra, e este ecoa por toda a península ibérica. Desde o cabo finisterra ao Guadiana, do Douro ao Alentejo. As mães apertam os filhos contra os peitos. Há rostos sem cor e o terror é grande, muitas vezes maior do que o própio perigo.Durante o combate as pessoas com furos de vencer,esquecem-se do perigo e da possibilidade de ficarem feridas ou mesmo de perderem a própia vida.

 

A guerra começou uns são movidos pela defesa da sua própia terra e outros pelo desejo da guerra.Os inimigos são muito numeroso, mas os portugueses defendem-se com bravura D.Nuno Álvares Pereira destaca-se na luta.D.Diogo e D.Pedro Pereira irmãos de Nuno Álvares estão a combater contra ele.No primeiro esquadrão há portugueses que renegaram a pátria e combatem contra seus irmãos.D.João I sabendo que Nuno Álvares corria perigo,acudiu a linha da frente para apoiar os guerreiros com a sua presença e palavras de encorojamento e com um único tiro,matou muitos adversários depois desta situação, os portugueses mais entusiasmados lutam sem recearem perder a vida.Muitos são feridos,muitos morrem mas a bandeira castelhana é derrubada aos pés da lusitana.

 

Com a queda da bandeira castelhana, a batalha tornou-se ainda mais cruel.Sem forças para combaterem, os castelhanos começam a fugir e o rei de Castela vê-se derrotado e impedido de atingir o seu propósito. Os vencidos encobrem a dor das mortes, a mágoa, a desonra, maldizendo e blasfemando de quem inventou a guerra ou atribuindo a culpa à sede de poder e à cobiça. D.João I passa alguns dias no campo de batalhar para comemorar e agradecer a deus a vitória com ofertas e romarias, mas D.Nuno Álvares Pereira que só quer que seja recordado pelos seus feitos bélicos, desloca-se para o Alentejo

 

Despedidas em Belém

 

É chegado o momento de Vasco da Gama narrar ao rei de Melinde a partida da armada para a viagem de descoberta do caminho marítimo para a Índia. Recorda que esta parte da acção só agora é narrada em analepse, através da retrospectiva que o narrador faz, visto ser obrigatório que a narração da epopeia épica clássica se iniciasse in media res.

 

Nas estrofes 84 e 85 é descrito o ambiente festivo que se vivia no dia da partida, contrapondo-se aos momentos apresentados nas estrofes seguintes, quando os navegadores, preparando a viagem”Aparelhámos a alma pêra a morte”, imploram a favor do divino e escutam os lamentos e o choro das muitas pessoas que acorreram à praia (88 à 92) e até da própria natureza que participa nestes sentimentos (92)

 

Dentre essas muitas pessoas, destaca-se a figura de uma mãe (90) e de uma esposa (91),que, transmitindo a dor de todas as outras, revelam a sua tristeza pela incerteza do regresso dos seus familiares. O discurso de ambas apresenta várias interrogações, as chamadas interrogações retóricas, para as quais não se espera uma resposta directa, mas que pretendem realçar, neste caso, os sentimentos de dúvida e aflição destas pessoas.

 

Mas o propósito de partir era firme, por isso Vasco da Gama diz ao rei de Melinde que, apesar de estar “Cheio dentro de dúvida e receio” (87) embarcam “Sem o despedimento costumado” (93) antes que se arrependessem. É notória nesta estrofe a emotividade.

 

A partida fez-se na praia de Belém “Que o nome tem da terra pêra exemplo, donde Deus foi em carne ao mundo dado” esta perífrase poderia substituir-se por uma simples palavra, Belém mas perder-se-ia toda a beleza da comparação entre o lugar onde Cristo nasceu e o lugar onde partiram as naus portuguesas.

 

Velho Restelo

 

Este episódio insere-se na narrativa feita por Vasco da Gama ao rei de Melinde. No momento em que a armada do Gama está prestes a largar de Lisboa para a grande viagem, uma figura destaca-se da multidão e levanta a voz, para condenar a expedição.

 

O texto é constituído por duas partes: a apresentação da personagem feita pelo narrador (est. 94) e o discurso do Velho do Restelo (est. 95 a 104).

 

A caracterização destaca a idade ("velho"), o aspecto respeitável (" aspeito venerando "), a atitude de descontentamento (" meneando / Três vezes a cabeça, descontente "), a voz solene e audível (" A voz pesada um pouco alevantando "), e a sabedoria resultante da experiência de vida (" Cum saber só de experiências feito"; "experto peito ").

 

Não foi certamente por acaso que Camões optou por esta figura e não outra. A figura do Velho do Restelo ressuma uma autoridade, uma respeitabilidade, que lhe permitem falar e ser ouvido sem contestação. As suas palavras têm o peso da idade e da experiência que daí resulta. E a autoridade provém exactamente dessa vivida e longa experiência.

 

No seu discurso é possível identificar três partes.

 

Na primeira (est. 95-97), condena o envolvimento do país na aventura dos descobrimentos, a que se refere de forma claramente negativa ("vã cobiça", "vaidade", "fraudulento gosto", "dina de infames vitupérios"). Denuncia de forma inequívoca o carácter ilusório das justificações de carácter heróico que eram apresentadas para esse empreendimento ("Fama", "honra", "Chamam-te ilustre, chamam-te subida","Chamam-te Fama e Glória soberana"), sendo certo que tudo isso são apenas "nomes com quem se o povo néscio engana". E apresenta um rol extenso de consequências negativas dessa aventura: mortes, perigos tormentas, crueldades, desamparo das famílias adultérios, empobrecimento material e destruição

 

Esta primeira parte é introduzida por uma série de apóstrofes ("Ó glória de mandar", "ó vã cobiça". "Ó fraudulento gosto"), com as quais revela que o que ele condena é de facto a ambição desmedida do ser humano, neste caso materializada na expansão ultramarina. O sentimento de exaltada indignação manifesta-se, sobretudo, pela utilização insistente de exclamações e interrogações retóricas

 

A segunda parte abrande as estrofes 98 a 101. É introduzida por uma nova apóstrofe, desta vez dirigida, não a um sentimento, mas aos próprios seres humanos ("ó tu, gèração daquele insano"). Se na primeira parte manifestou a sua oposição às aventuras insensatas que lançam o ser humano na inquietação e no sofrimento, agora propõe uma alternativa menos má, sugerindo que a ambição seja canalizada para um objectivo mais próximo - o Norte de África

 

A estância 99 é toda ela preenchida com orações subordinadas concessivas, anaforicamente introduzidas por "já que", antecedendo a sua proposta de forma reiterada e cobrindo todas as variantes dessa ambição: religiosa ("Se tu pola [Lei] de Cristo só pelejas?"), material ("Se terras e riquezas mais desejas?"), militar ("Se queres por vitórias ser louvado?"). E aproveita para apresentar novas consequências maléficas da expansão marítima: fortalecimento do inimigo tradicional ("Deixas criar às portas o inimigo"), despovoamento e enfraquecimento do reino. E mais uma vez recorre às interrogações retóricas como recurso estilístico dominante.

 

Vem depois a terceira parte (est. 102-104). O poeta recorda figuras míticas do passado, que, de certo modo, representam casos paradigmáticos de ambição, com consequências dramáticas. Começa por condenar o inventor da navegação à vela - "o primeiro que, no mundo, / Nas ondas vela pôs em seco lenho!". Faz depois referência a Prometeu, que, segundo a mitologia grega, teria criado a espécie humana, dando assim origem a todas as desgraças consequentes - "Fogo que o mundo em armas acendeu, / Em mortes, em desonras (grande engano!". Logo a seguir, narra os casos de Faetonte e Ícaro, que, pela sua ambição, foram punidos. E os quatro versos finais da fala do Velho do Restelo sintetizam bem esse desejo desmedido de ultrapassar os limites:

 

Nenhum cometimento alto e nefando
Por fogo, ferro, água, calma e frio,
Deixa intentado a humana gèração.
Mísera sorte! Estranha condição!

Simbologia do episódio do "Velho do Restelo"

 

Naturalmente, o "Velho do Restelo" não é uma personagem histórica, mas uma criação de Camões com um profundo significado simbólico.

 

Por um lado, representa aquela corrente de opinião que via com desagrado o envolvimento de Portugal nos Descobrimentos, considerando que a tentativa de criação de um império colonial no Oriente era demasiado custosa e de resultados duvidosos. Preferiam que a expansão do país se fizesse pela ampliação das conquistas militares no Norte de África.

 

Essa ideia era, sobretudo, defendida pela nobreza, que assim encontravam possibilidades de mostrarem o seu valor no combate com os mouros e, ao mesmo tempo, encontravam nele justificação para as benesses que a Coroa lhes concedia. A burguesia, por seu lado, inclinava-se mais para a expansão marítima, vendo aí maiores oportunidades de comércio frutuoso

 

Por outro lado, se ignorarmos o contexto histórico em que o episódio é situado, podemos ver na figura do Velho o símbolo daqueles que, em nome do bom senso, recusam as aventuras incertas, defendendo que é preferível a tranquilidade duma vida mediana à promessa de riquezas que, geralmente, se traduzem em desgraças. Encontramos aqui um eco de uma ideia cara aos humanistas: a nostalgia da idade de ouro, tempo de paz e tranquilidade, de que o homem se viu afastado e a que pode voltar

, reduzindo as suas ambições a uma sábia mediania ("aurea mediocritas", na expressão dos latinos), já que foi a desmedida ambição que lançou o ser humano na idade de ferro, em que agora vive (cf. est. 98). Neste sentido o episódio pode ser entendido como a manifestação do espírito humanista, favorável à paz e tranquilidade, contrário ao espírito guerreiro da Idade Média

 

Assim, o episódio do "Velho do Restelo" está de certo modo em contradição com aquilo mesmo que Os Lusíadas , no seu conjunto, procuram exaltar - o esforço guerreiro e expansionista dos portugueses. Essa contradição é real e traduz, de forma talvez inconsciente, as contradições da sociedade portuguesa da época e do próprio poeta. De facto, Camões soube interpretar, melhor que ninguém, o sentimento de orgulho nacional resultante da consciência de que durante algum tempo Portugal foi capaz de se destacar das demais nações europeias. Mas Camões era também um homem de sólida formação cultural, atento aos valores estéticos do classicismo literário e imbuído de ideais humanistas. Se, ao cantar os feitos dos portugueses, ele dá voz a esse orgulho nacional, que sentia também como seu, na fala do "Velho do Restelo" e em outras intervenções disseminadas ao longo do poema, exprime as suas ideias de humanista.

 

 

Adamastor

 

Já no meio da viagem, os portugueses deparam-se com o maior dos perigos e dos medos: o gigante Adamastor. Vasco da Gama narra também este episódio ao rei de Melinde , revelando toda a sua experiência e sentimentos.

 

Antes de mais, é importante considerar que se trata de um episódio simbólico. A Adamastor é o símbolo dos perigos e das dificuldades que se apresentam ao Homem que sente o impulso de conecer, de descobrir. Só superando o medo, o Homem poderá vencer (Humanismo). O Adamastor é portanto, uma figura mitológica criada por Camões como forma de nele concentrar todos os perigos e dificuldades que os portugueses tiveram que transpor.

 

Não é por acaso que o episódio do Adamastor ocupa o lugar central no poema épico. O canto V marca o meio da obra, e é com ele que termina o primeiro ciclo épico da narração. Marca também a passagem do mundo conhecido para o desconhecido, a passagem do Ocidente para o Oriente.

 

A viagem decorria calmamente quando, de repente surge a figura gigantesca e tremenda do Adamastor, num contraste entre a atmosfera amena inicial e o terror que logo de seguida é apresentado, levando o capitão a invocar a protecção divina.

 

Nas estrofes 39 e 40 é feita a descrição do gigante, realçando-se, sobretudo, a adjectivação utilizada: figura “robusta e válida” “De disforme e grandíssima estatura” “rosto carregado” e “barba esquálida” “olhos encovados” “Postura medonha e má a cor terrena e pálida” “Cheios de terra e crespos os cabelos” “boca negra” “dentes amarelos” “tom de voz horrendo e grosso”. Como se isso não bastasse, este gigante ainda profetiza num discurso assustador, a partir da estrofe 41, graves perigos e mortes para os navegadores. Uma profecia diz respeito a um acontecimento futuro. O gigante começa por se dirigir aos navegadores com a apóstrofe “Ó gente ousada” revelando conhecer bem a coragem daqueles a quem se dirige e procurando, ao intimidá-los com o seu discurso ameaçador e castigador, levá-los a desanimar e a desistir da viagem.

 

Na estrofe 49, Vasco da Gama dá mais um prova de ousadia da gente Lusitana, mesmo mediante as trágicas profecias, interpelando o gigante e perguntando-lhe quem era. A simples pergunta “Quem és tu?” provoca uma brutal mudança na intensão, na postura e até no tom de voz do Adamastor que, da estrofe50 à 59, narra a história da sua vida, destacando de forma lastimosa e magoada o amor frustado com tétis(narrativa secundária)

 

Finda a narração, o Adamastor retira-se, tal como tinha surgido, deixando o caminho livre para os navegadores passarem (estrofe 60), o que leva Vasco da Gama a interceder pela sua vida e pela dos marinheiros, dirigindo-se a Deus e pedindo-lhe “que removesse os duros/casos que Adamastor contou futuros”. A ousadia de Vasco da Gama abriu a passagem para a Índia. O medo estava vencido, passando o cabo das Tormentas a designar-se cabo da Boa Esperança.

 

Depois de relatar este episódio, Vasco da Gama termina a narração ao rei de Melinde. Agora é o momento de prosseguir viagem e continuar a fazer História

 

A tempestade-Canto VI (estrofes 70 a 91)

 

Surge, depois, um episódio naturalista por envolver elementos da Natureza. É a última grande dificuldade que surge aos navegadores antes da chegada à Índia. Baco reúne os deuses do mar para um novo consílio onde procura destruir os navegadores antes da conquista do Oriente. Dando razão a Baco, os deus marinhos decidem ajudá-lo, ordenando a Éolo, deus do vento, que “Solte as fúrias dos ventos repugnantes, que não haja no mar mais navegantes” Mais uma vez, podes comprovar o entrelaçar do plano narrativo da viagem com o plano mitológico.

 

A tempestade é por isso, mais uma tentativa de destruição da glória dos portugueses, mas novamente se assistirá vitória dos humanos sobre todos os elementos que os afligem.

 

 

Este episódio pode ser dividido em três partes:

-o desenrolar da tempestade (70-79)

-a súplica de Vasco da Gama por protecção divina (80-84)

-a intervenção de Vénus e das ninfas (85-91)

 

Na descrição da tempestade há a realçar:

-a abundância de frases de tipo exclamativo, reforçando os sentimentos de aflição dos navegadores e a necessidade urgente de agir.

-o recurso aos verbos de movimento que fazem desta descrição uma descrição dinâmica, impondo um ritmo muito acelerado, quer na progressão da tempestade, quer na aproximação iminente da morte

-as várias sensações apresentadas: visuais, auditivas e sobretudo cinéticas (movimentos físicos)

 

O clímax desta descrição é atingido quando, diante da perspectiva de naufrágio, Vasco da Gama, em nome de todos os marinheiros, suplica novamente a protecção da “Divina guarda, angélica, celeste” (81) utilizando no seu discurso, argumentos poderosos que se prendem sobretudo com a dilatação da Fé cristã.

É Vénus que, confirmando a sua admiração pelos portugueses, surge juntamente com as suas ninfas para salvá-los das obras de Baco.

 

A chegada dos portugueses à Índia (Canto VI a partir da estrofe 92)

 

Vencidos todos os medos e perigos, os portugueses avistam, finalmente, a terra desejada, a Índia. A sua luta é coroada de êxito e de vitória.

 

Texto Poético

 

O texto poético é muito diferente dos modos literários anteriormente estudados. A poesia é uma revelação do mundo interior, dos sentimentos, das emoções, dos pensamentos, dos anseios… Por isso o texto poético é, fundamentalmente, um discurso de 1ª pessoa, logo, um discurso do eu. Uma das marcas deste discurso é a subjectividade, uma vez que o sujeito poético transmite a sua representação pessoal do mundo.

 

Verso

 

Conjunto de palavras, de sentido completo ou não, com determinadas características rítmicas. Numa composição poética escrita ocupa uma linha, mesmo que tenha uma única palavra.

 

Estrofe

 

Verso ou conjunto de versos, geralmente com uma unidade de sentido. Cada conjunto, ao ser escrito é demarcado de outro por um espaço. Cada estrofe recebe uma designação, segundo o número de versos que apresenta

 

1 verso

Monóstico

2 versos

Dístico

3 versos

Terceto

4 versos

Quadra

5 versos

Quintilha

6 versos

Sextilha

7 versos

Sétima

8 versos

Oitava

9 versos

Nona

10 versos

décima

 

Soneto

 

É uma composição de 14 versos agrupados em duas quadras e dois tercetos. É a forma poética mais conhecida, sendo usada desde o séxulo XVI.

 

Esquemas Rimáticos

 

Abab- rima cruzada

Aabbcc- emparelhada

Abba- interpolada

Rima final de um verso encontra correspondência no meio do verso seguinte- encadeada

 

Classificação quanto ao número de sílabas métricas

 

1-monossilabo

2-dissilabo

3-trissilabo

4-tetrassilabo

5-redondilha menor

6-hexassilabo

7- redondilha maior

8-octossilabo

9-eneassilabo

10-decassilabo

11-hendecassilabo

12- alexandrino

 

Recursos Fónicos

 

Recurso Expressivo

Conceito

Exemplo

Aliteração

Repetição dos mesmos sons consonânticos (sons consoantes)

Muitos S’s numa frase

Anáfora

Repetição intensional de uma palavra ou palavras no início de frases ou versos seguintes, para destacar o que se repete

“À barca, À barca cavaleiros, À barca, entrai na Barca do além”

Assonância

Repetição intensional dos mesmos sons vocálicos (sons vogais)

Muitos A’s numa frase

Eufemismo

Transmissão de forma atenuada, de uma ideia desagradável, cruel

“Tirar Inês ao mundo” (matar)

Perífrase

Expressão por várias palavras, do que se diria em poucas ou apenas numa

“Aquele que a salvar o mundo veio” (Cristo)

Sinédoque

Consiste em tomar o todo pela parte ou vice-versa: o plural pelo singular ou vice-versa, a matéria pelo objecto ou vice-versa, a espécie pelo género ou vice-versa

“Ocidental Praia Lusitana” (Portugal)

 

Texto Dramático

 

Emissor

Dramaturgo

Emissor

Encenador

Actores

Cenógrafo

Técnico de Luz e de som

Receptor

Público Leitor

Receptor

Público espectador

Estrutura Interna

Texto principal (diálogos ,monólogos e apartes)

Estrutura Interna

Interligação das falas e mímica dos actores, com o jogo da luz e som

Estrutura Externa

Actos e Cena

Estrutura Externa

Actos

Cenas

Outras Caracteristicas

Apresentação, desenvolvimento e desenlace de um conflito

Outras Caracteristicas

Exige espaço cénico

Os actores concretizam o texto pela representação

Implica a presença real de actores e espectadores

 

 

Funcionamento da Língua

 

Organização do texto

 

Frase

 

Simples e Complexa

 

Sistematização: Podemos definir uma frase como um conjunto de palavras que formam uma unidade de sentido.

 

Uma frase pode ser constituída apenas por uma oração (estrutura com um só sujeito e um só predicado) à frase simples.

Ou por duas ou mais orações à frase complexa.

 

Nota: Não identificar frase simples com frase de um só verbo, mas sim de um só predicado, pois o predicado pode ser expresso por dois ou mais verbos, como é o caso dos tempos compostos, da voz passiva e da conjugação perifrástica.

 

Exemplos de Frases Simples e Complexas

 

Simples:

 

-“Eu acompanho sempre as minhas tias nos passeios de Domingo”

-“Posso vir a querer fazer outras coisas”

-“Estou a tentar estudar o mais possível”

 

Complexa:

 

-“Eu acompanho sempre as minhas tias quando passeiam aos Domingos”

 

Tipos de Frase

 

Os tipos de frase traduzem a atitude do emissor relativamente àquilo que transmite e a quem transmite.

 

Tipos de Frase

Exemplos

Declarativo (apresenta um facto, uma situação)

Eu não vou hoje ao cinema.

Interrogativo (coloca uma questão, pede informações)

Vais hoje ao cinema?

Exclamativo (expressa uma emoção, apresenta uma reacção)

Hoje vais ao cinema!

Imperativo (dá uma ordem, uma sugestão)

Vai ao cinema!

 

Formas de Frase

 

A cada tipo de frase associa-se sempre uma forma de cada um dos pares que a seguir se apresenta. Assim o tipo declarativo, por exemplo, pode parecer simultaneamente nas formas afirmativa, activa e enfática ou pode aparecer simultaneamente nas formas negativa, passiva e neutra. As possibilidades de combinações são variadas.

 

Formas de Frase

Exemplos

Afirmativa

Negativa

Gosto de tomar o pequeno-almoço

Não gosto de tomar o pequeno-almoço

Activa

 

Passiva

A Maria lava sempre a fruta com água corrente

A fruta é sempre lavada com água corrente pela Maria

Neutra

 

Enfática

Os meninos do jardim-escola usam uns bibes lindos!

Os meninos do jardim-escola são que usam uns bibes lindos!

 

Período e Parágrafo

 

Sistematização

 

O período

 

O período é a frase ou conjunto de frases que se encontram entre dois pontos finais Pode conter uma só oração (frase simples) mas, normalmente contém duas ou mais orações (frase complexa)

 

O parágrafo

 

Quando necessitamos de fazer uma pausa mais longa – porque dentro do mesmo assunto vamos falar de um outro aspecto, ou pretendemos demarcar uma ideia de outra, ou ainda porque mudamos de assunto, embora dentro da mesma temática -mudamos de linha, deixando, normalmente, um espaço em branco.

 

Estamos a abrir um novo parágrafo

 

Coerência e coesão textual

 

Sistematização

 

Para que um conjunto de frases se possa chamar texto e necessário que as frases se estruturem de uma determinada maneira e se relacionem entre si de modo a formar um todo coerente e coeso

 

A coerência Textual

 

A coerência textual implica que as diferentes partes de um texto estejam articuladas entre si ao nível do sentido, estruturando-se de acordo com a tipologia em questão.

 

A coesão textual

 

A coesão textual resulta da utilização dos elementos linguísticos que fazem a ligação das várias partes de um texto, pode ser conseguida através de diferentes processos.

 

Conectores

 

São os elementos que contribuem para uma maior coesão textual: conjunções e locuções conjuncionais, advérbios e locuções adverbiais

 

Pontuação

 

Sistematização

 

A pontuação é um factor fundamental para clarificar o sentido de um texto. Outro elemento fundamental que contribui para a coesão textual e a pontuação

 

Existem vários sinais de pontuação.

 

Vírgula,

 

A vírgula usa-se normalmente para

Exemplos

Separar elementos de uma enumeração

Naquele mercado as mangas, os pêssegos, as ameixas, as maçãs, as cerejas atraíam pelos seus tons alegres e luminosos.

Demarcar o aposto do sujeito

João, o padeiro, e também um grande pasteleiro.

Demarcar complementos circunstanciais

Nesse dia, apareceram todos os amigos do Rui.

Separar o vocativo

Ò Ana, anda cá depressa!

Separar repetição de palavras

Ele comia, comia, e nunca ficou maldisposto

Demarcar um adjectivo em inicio de frase

Atencioso, como ele nao havia!

Demarcar um substantivo

O pedro, esse era o eleito.

Destacar elementos (normalmente mais extensos) numa enumeracao

Ele gostava de doces e a Joana de salgados

Ele gostava de doces, a Joana de salgados

 

Nota: A virgula nunca pode separar o sujeito do seu predicado ou o predicado do seu complemento directo e/ou indirecto.

No caso de se intercalar uma expressao ou oração entre um sujeito e um predicado, ela deve figurar entre vírgulas, para não separar-mos o sujeito do predicado.

 

Ex.: Os homens, obcecados pelo progresso, nem sempre pensam no futuro da humanidade.

 

Ponto e Virgula

 

Ponto.

 

O ponto usa-se normalmente para marcar o fim de uma frase simples ou complexa.

 

Ex.:

 

O que ela dizia, embora fosse sempre diferente, soava sempre da mesma maneira. Era monótono. E a maioria dos alunos estava a ouvi-la...sem a ouvir.

Era o caso do Jorge, que estava interessado no rapaz com o carrinho de bebe e se foi afastando do grupo. Alem deles, só andava ali dentro um grupo de velhinhos ingleses. E o rapaz com o bebe, claro, que percorreu a igreja toda com os auscultadores nos ouvidos, sempre a empurrar o carrinho. De vez em quando parava a um canto, levantava o cobertor e dava duas mexidelas no bebe que, por sua vez, não dava sinal de si.

 

Dois pontos:

 

Usam-se normalmente para:

 

-Introduzir o discurso directo

 

Ex.:

 

Arranjo uma voz de falsete e imito o dos filmes americanos:

“Antípode homem?”

 

-Introduzir uma enumeração

 

Ex.: Acho que foram emoções a mais para a Luísa: o sótão que não havia, o Abílio que eu não era, o Luís que ela não sabia que era eu.

 

-Iniciar uma conclusão ou dar uma explicação

 

Ex.: E não tardei a colar o Sem Pavor ao João: João Sem Pavor

 

Reticencias...

 

Usam-se normalmente para marcar a suspensão de uma ideia ou frase.

 

Ex.: Nada...Há seis dias e seis noites que estou aqui escondido a tremer com medo dos lobos, dos morcegos, das bruxas e dos fantasmas, a espera da minha irmã...

 

Ponto de Interrogação?

 

Usa-se normalmente para assinalar uma frase do tipo interrogativo.

Ex.: Que dizes, meu palerma?

 

 

 O ponto de exclamação marca uma frase do tipo exclamativo, pode também utilizar-se nas frases do tipo imperativo.

 

Ex.: Anda cá!

 

Aspas “”

 

Usam-se normalmente para

 

-Transcrever uma palavra ou expressão ou fazer uma citação

 

Exumareis Luther King disse “ Eu tenho um sonho, que todos os negros tenham os mesmos direitos”

 

- Utilizar uma palavra que não pertence ao léxico português

 

Ex:“Anybody Home”

 

-Utilizar uma palavra menos apropriada, mas expressiva no contexto

 

Ex: Ja anda a “namorar” este vestido há muito tempo

 

-Destacar um titulo

 

Ex.: O jornal “Expresso” e um semanário

 

Parênteses ()

 

Usam-se normalmente para:

 

-Marcar o discurso directo

 

Ex: Arranjo uma voz de falsete e imito os dos filmes americanos “Anybody Home”

 

-Indicar corte em texto citado

 

Ex: Discurso Vasco da Gama “Meu povo vamos partir (...) que deus vos abençoe!

 

Travessão

 

Usa-se normalmente para:

 

-Marcar discurso directo

 

Ex.: Visto-me a macaco e imito os seus sons

      -“Eu sou o Artur”

 

-Demarcar uma frase intercalar, que poderia surgir entre virgulas

 

Ex.: Os homens obcecados pelo progresso – nem sempre pensam no futuro da humanidade

 

Nota: Quase todos os sinais de pontuação podem ser usados para conferir maior expressividade a um texto

 

Léxico

 

Sistematização

 

A principal influência na formação da língua portuguesa e o latim.

Mas se muitos termos chegaram ate nos através do latim clássico, o latim culto, o latim dos escritores (via erudita), muitos outros chegaram através do latim vulgar, o latim falado sobretudo por soldados e comerciantes fixados nos territórios conquistados (via popular)

 

Palavras Convergentes e Divergentes

 

Exemplo de palavras divergentes

 

Latim

Via popular

Via erudita

Cathedra

Cadeira

Cátedra

Cogitare

Cuidar

Cogitar

Integru

Inteiro

Integro

Matre

Mãe

madre

Oculu

Olho

Óculo

Superare

Sobrar

Superar

 

Exemplo de palavras convergentes:

 

Rio-nome (do latim rivu)

Rio-verbo rir (do latim rideo)

 

Evolução Fonética

 

Processos de queda ou supressão

 

Aférese

 

Supressão de um fonema no inicio da palavra

 

Exemplo: ainda > inda / atonitu > tonto

 

Síncope

 

Supressão de um fonema no meio da palavra

 

Exemplo: calidu > caldo / viride > verde

Apócope

 

Supressão de um fonema no fim da palavra

 

Exemplo: Amore > amor / sic > si

 

Processos de adição

 

Prótese

 

Acrescentamento de um fonema no inicio da palavra

 

Exemplo: lembrar > alembrar / thunu > atum

 

Epêntese

 

Acrescentamento de um fonema no interior da palavra

 

Exemplo: humile > humilde / creo > creio

 

 

Paragoge

 

Acrescentamento de um fonema no final da palavra

 

Exemplo: flor > flore / ante > antes

 

Processos de alteração

 

Assimilação

 

Fonemas próximos tornam-se iguais (assimilação completa) ou semelhantes (assimilação incompleta)

 

Exemplo: Persicu > pêssego / Ipse > esse

 

Dissimilação

 

É um processo de certo modo contrário à assimilação. Consiste em evitar dois sons iguais ou semelhantes na mesma palavra, por isso um deles torna-se diferente ou desaparece

 

Exemplo: rostru > rosto / liliu > lírio

 

Nasalação

 

Um fonema oral torna-se nasal por influência de um fonema nasal

 

Exemplo: canes > cães / fine > fim

 

Desnasalação

 

Consiste na perda da ressonância nasal de algumas vogais

 

Exemplo: Bona > bõa > boa / cena > cea > ceia

 

 Vocalização

 

As consoantes passam a vogais

 

Exemplo: Multu > muito / octo > oito

 

Sonorização

 

As consoantes surdas entre vogais transformam-se nas consoantes sonoras correspondentes.

 

Exemplo: amicu > amigo / totu > todo

 

Palatização

 

Um som ou grupo de sons torna-se palatal

 

Exemplo: planu > chão / flama > chama

 

Metáfese

 

Consiste em os fonemas mudarem de lugar, dentro da palavra. É um processo muito importante, que ainda hoje se verifica com a frequência, nomeadamente na linguagem popular.

 

Exemplo: semper > sempre / primariu > primeiro

 

Formação de Palavras

 

Derivação

 

Em que existe um radical e um ou mais afixos:

 

Chuvoso- chuv (radical) oso (sufixo)

 

Renovar- re (prefixo) nov (radical) ar (sufixo)

 

Composição

 

Em que existe mais de um radical ou palavra:

 

Amor-perfeito- amor (nome) perfeito (adjectivo)

 

Telecomunicação – tele (radical) comunicação (nome)

Palavras Primitivas e Derivadas

 

Palavras Primitivas

 

Chamam-se primitivas as palavras que não são formadas a partir de nenhuma outra

 

Exemplo: água, fazer, etc

 

Palavras Derivadas

 

Chamam-se derivadas aquelas palavras que se formam a partir de outra – água, fazer – a qual se juntou um ou vários prefixos ou sufixos:

 

Exemplo: aguadeiro, aguar, desaguar, desfazer, refazer

 

Derivação

 

Existem três processos de derivação propriamente dita:

 

-por prefixação

-por sufixação

-regressiva

 

Afixo: São os morfemas derivativos (prefixos e sufixos) que se juntam à palavra primitiva, acrescentando uma nova tonalidade à significação primitiva

 

Prefixo:

 

É o afixo que se junta antes:

 

Exemplo: desfazer (des+fazer)

 

 

Sufixo

 

É o afixo que se junta depois:

 

Exemplo: aguar (água+ar)

 

Exemplos de Sufixos

 

Parassintese

 

Quando o prefixo e sufixo se aglutinam ao mesmo tempo ao radical, sem se poder conceber uma palavra intermédia:

 

Exemplo: repatriar (re+pat+riar)

 

Composição

 

Aglutinação

 

É uma das formas de ligação de duas palavras primitivas.

Quando da ligação de duas palavras resulta uma palavra nova com apenas uma sílaba acentuada, a palavra resultante diz-se composta por aglutinação

 

Exemplo: filho de algo > fidalgo / perna + alta > pernalta

 

Justaposição

 

É a outra forma de ligação de duas palavras primitivas.

Quando as duas palavras mantêm a sua acentuação, dizemos que a nova palavra é composta por justaposição.

 

Exemplo: arroz-doce / passatempo

 

Compostos eruditos

 

Existem, ainda na nossa língua, muitas palavras formadas por radicais gregos e latinos, designadas por compostos eruditos.

 

Exemplo: termo-metro > termómetro

 

Relações Gráficas e Fonéticas

 

Homonímia

 

Quando temos duas palavras graficamente iguais, mas com origem e significados diferentes, estamos perante palavras homónimas

 

Exemplo: O rio continuava a correr pelo leito / Rio sempre que ouço uma boa piada

 

Homofonia

 

Quando temos duas palavras com significados e grafia diferentes mas foneticamente iguais, estamos perante palavras homófonas

 

Exemplo: Quando soar o sinal saímos / O esforço que fizemos fez-nos suar bastante

 

Homografia

 

Quando temos duas palavras com significados e pronúncias diferentes mas grafias idênticas, estamos perante palavras homógrafas.

 

Exemplo: A PSP policia o bairro de Chelas / Toda a polícia tem farda azul

 

Paronímia

 

Quando temos duas palavras com significados diferentes mas foneticamente muito próximas estamos perante palavras parónimas

 

Exemplo: Levo quatro livros / o meu quarto é grande

 

Hiperónimos e Hipónimos

 

Hiperónimos

fruta

roupa

Vertebrados

Hipónimos

Maçã

Cereja

Cenoura

melancia

Vestido

Casaco

Luvas

saia

Crocodilo

Tartaruga

Rato

Pássaro

 

 Sintaxe

 

Coordenação e Subordinação

 

Sistematização

 

Quando as palavras se organizam em frases obedecem a regras especificas (de concordância, de ligação de frases, etc) e assumem determinadas funções (sujeito, predicado, etc)

 

Os estudos dessas regras e funções designa-se por sintaxe

 

Quando a frase é complexa, as orações estão ligadas entre si através de um processo de coordenação ou de subordinação.

 

Coordenação

 

É um processo de ligação de frases independentes que podemos associar de diversas maneiras.

 

As frases assumem a designação de coordenadas, as conjunções designam-se por coordenativas

 

Conjunções Coordenativas

 

Copulativas

Adversativas

Disjuntivas

Conclusivas

E

Nem

Não só…mas também

Mas

Porém

Todavia

Contudo

Ou

Ora..ora

Quer…Quer

Seja…seja

Nem…nem

Logo

Pois

Portanto

Por conseguinte

 

Conjunções Subordinativas

 

Temporais

Quando, apenas, enquanto, antes que, depois que, desde que, à medida que…

Causais

Porque, pois, como, visto que, já que, pois que…

Concessivas

Embora, ainda que, mesmo que, posto que, se bem que, por mais que, nem que…

Condicionais

Se, caso, salvo se, desde que, a menos que, a não ser que…

Finais

Para que, a fim de que

Consecutivas

(tal…) que, (tanto…) que, (tão…) que

Comparativas

(mais, menos, maior, menor, melhor, pior) do que, (tal) qual, como, assim como, bem como, como se…

Integrantes

Que, se (quando introduzem 1ª oração que é sujeito ou complemento directo da oração anterior)

 

Preposição

 

É uma palavra invariável que liga dois termos (palavras ou conjunto de palavras) normalmente pertencentes à mesma oração, assinalando que o sentido do primeiro termo é explicado ou completado pelo segundo.

 

Preposições

 

A

Com

Durante

Perante

Sem

Ante

Contra

Em

Por

Sob

Após

De

Entre

Salvo

Sobre

Até

desde

para

segundo

trás

 

Locuções Prepositivas

 

Abaixo de

Acerca de

Acima de

A fim de

Ao lado de

Ao redor de

A par de

Por entre 

Por sobre

 

Funções Sintácticas

 

Sistematização

 

Sujeito

 

É a entidade a qual se diz algo

 

Exemplo: ELE é meu amigo

 

…ou que realiza uma acção

 

Exemplo: ELE fez o trabalho.

 

É sempre expresso através de:

-um substantivo

-pronome

-numeral (eventualmente)

-uma oração

 

Variedades de Sujeito

 

Simples

O CAVALO partiu a galope

Composto

O BURRO E O GALO eram cantores

Subentendido

(NÓS) fomos ao cinema

Indeterminado

Contam-se histórias estranhas (não se sabe quem conta)

Inexistente

Hoje choveu! Há que não o via. Era Natal!

 

Funções Sintácticas associadas ao sujeito

 

Atributo

 

Exemplo: O cavalo BRANCO partiu a galope

 

Complemento determinativo

 

Exemplo: O cavalo de D.QUIXOTE tinha um grande nariz

 

Aposto

 

Exemplo: O cavalo, ROCINANTE, partiu a galope

 

Predicado

 

Engloba tudo aquilo que se diz sobre o sujeito

 

Variedades do Predicado

 

Nominal (verbos copulativos)

Ele PARECIA uma fantasma

Verbal (verbos transitivos directos e indirectos e intransitivos)

A Mariana DESCEU agora mesmo

 

Funções Sintácticas Associadas ao predicado

 

Complemento Directo

 

Exemplo: A Joana comeu UM BOLO

 

Complemento Indirecto

 

Exemplo: A joan deu um bolo À MARIANA

 

Nome Predicativo do Sujeito

 

Exemplo: A Joana ficou SATISFEITA com o bolo

 

Nome Predicativo do Complemento Directo

 

Exemplo: A Joana considera a Mariana UMA AMIGA

 

Complemento agente da Passiva

 

Exemplo: O bolo foi comido PELA JOANA

 

Complementos Circunstanciais

 

De lugar (onde)

 

Exemplo: A Joana mora em LISBOA

 

De Companhia

 

Exemplo: A Joana mora em Lisboa COM OS AVÓS

 

De Fim

 

Exemplo: A Joana mora em Lisboa PARA ESTUDAR

 

De Meio

 

Exemplo: A Joana vai DE COMBOIO

 

De Lugar (donde)

 

Exemplo: A Joana partiu de Coimbra

 

De Lugar (por onde)

 

Exemplo: A Joana passa por Santarém

 

Funções Sintácticas Associadas a toda a frase

 

Vocativo

 

Exemplo: Ó JOANA, tu comeste o bolo?

 

Complementos Circunstanciais

 

De tempo

 

Exemplo:  ONTEM a Joana comeu de bar

 

De Lugar

 

Exemplo: A Joana fez compras NO CENTRO COMERCIAL

 

De Causa

 

Exemplo: A Joana por DISTRACÇÃO não viu o Artur

 

De Modo

 

Exemplo: Infelizmente o Artur está doente

 

Discurso Directo, Indirecto e Indirecto Livre

 

Discurso Directo

 

É a transcrição fiel das falas das personagens, num texto. Formalmente escrito, surge depois dois pontos, antecedidos ou não de um verbo declarativo (dizer, perguntar, responder, etc) , parágrafo e travessão

 

Discurso Indirecto

 

É a reprodução da fala das personagens, por outra entidade- narrador ou outra personagem, o que implica algumas transformações, sobretudo ao nível dos indicadores de tempo e de espaço, bem como de pessoa verbal

 

Transformação de Discurso Directo em Indirecto

 

Elementos do Discurso

Discurso Directo

Discurso Indirecto

Sujeito da enunciação (todos os determinantes e pronomes associados ao sujeito da enunciação, bem como a pessoa verbal

1ª e 2ª pessoas

3ª pessoa

Tempo e modo verbal

Presente, Pretérito Perfeito, Futuro e Imperativo

Imperfeito, Condicional, Pretérito mais-que-perfeito, Imperfeito do conjuntivo

Elementos definidores de espaço e tempo (advérbios de tempo e lugar)

Maior proximidade (aqui, agora)

Maior afastamento (acolá, naquele lugar, nesse dia)

 

Discurso Indirecto Livre

 

É o discurso que, parecendo directo, não apresenta as marcas gráficas características, e o discurso que, sendo indirecto, não utiliza o verbo declarativo e a conjunção

 

Pronomes

 

 

 

 

 

Pronomes Pessoais

 

 

 

 

 

 

 

 

Funções Sintáticas

 

 

 

Pessoa

Sujeito

    C.D

C.I sem preposição

C.I com preposição

Compl. circunstacial

1ª S

eu

me

me

 

mim

 

mim migo

 

2ª S

tu

te

te

 

ti

 

ti, tigo

 

3ª S

ele, ela

se, o ,a

lhe

 

si ele, ela

 

si sigo ele, ela

1ª P

nós

nos

nos

 

nós

 

nós vosco

 

2ª P

vós

vos

vos

 

vós

 

vós vosco

 

3ª P

eles, elas

se, os, as

lhes

 

si, eles , elas

si, sigo eles elas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pronomes Possessivos

 

 

 

 

Pessoa

Singual Masculino

 

Singular Feminino

 

Plural Masculino

 

Plural Feminino

 

1ª S

meu

 

minha

 

meus

 

minhas

 

2ª S

teu

 

tua

 

teus

 

tuas

 

3ª S

seu

 

sua

 

seus

 

suas

 

1ª P

nosso

 

nossa

 

nossos

 

nossas

 

2ª P

vosso

 

vossa

 

vossos

 

vossas

 

3ª P

seu

 

sua

 

seus

 

suas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pronomes Demonstrativos

 

 

 

 

 

                  Variáveis

 

 

 

        Invariáveis

 

                 Singular

 

 

Plural

 

 

 

 

Masculino

Feminíno

 

Masculino

Feminíno

 

 

 

 

este

esta

 

estes

estas

 

isto

 

 

esse

essa

 

esses

essas

 

isso

 

 

aquele

aquela

 

aqueles

aquelas

 

aquilo

 

 

o outro

a outra

 

os outros

as outras

 

 

 

 

o mesmo

a mesma

 

os mesmos

as mesmas

 

 

 

 

tal

tal

 

tais

tais

 

 

 

 

o

a

 

os

as

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pronomes Indefinidos

 

 

 

 

 

 

 

Variáveis

 

 

 

        Invariáveis

 

 

Singular

 

 

Plural

 

 

 

 

Masculino

Feminíno

 

Masculino

Feminíno

 

 

 

 

algum

alguma

 

alguns

algumas

 

alguém, algo

 

nenhum

nenhuma

 

nenhuns

nenhumas

 

ninguém

 

 

todo

toda

 

todos

todas

 

tudo

 

 

muito

muita

 

muitos

muitas

 

 

 

 

pouco

pouca

 

poucos

poucas

 

 

 

 

tanto

tanta

 

tantos

tantas

 

 

 

 

outro

outra

 

outros

outras

 

outrem

 

 

certo

certa

 

certos

certas

 

 

 

 

qualquer

qualquer

 

quaisquer

quaisquer

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

cada

 

 

 

 

 

 

 

 

nada

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pronomes Interrogativos

 

 

 

 

 

 

 

Variáveis

 

 

 

        Invariáveis

 

 

Singular

 

 

Plural

 

 

 

 

Masculino

Feminíno

 

Masculino

Feminíno

 

 

 

 

qual?

qual?

 

quais?

quais?

 

que? O quê?

 

quanto?

quanta?

 

quantos?

quantas?

 

quem?

 

 

 

 

 

 

 

 

onde?

 

 

 

 

Graus dos Adjectivos

 

 

 

 

Graus dos Adjectivos

 

 

Comparativo

Superioridade

mais…do que

 

 

 

Igualdade

 

tão…quanto (ou como) os

 

 

Inferioridade

menos…do que

 

Superlativo

Relativo

Superioridade

mais... de

 

 

 

 

Inferioridade

menos…de

 

 

Absoluto

Analítico

muito…

 

 

 

 

 

Sintético

…íssimo

 

 

 

Morfologia

 

Nome

 

Sistematização

 

Nome ou Substantivo é a designação que damos à classe de palavras que indica pessoas, animais, ou coisas – nomes concretos. Ou que indica acções, estados ou qualidades – nomes abstractos

 

Quando determinado ser se individualiza, designa-se por nome próprio, quando representa todos os seres da sua espécie, sem individualização, designa-se por nome comum

 

Há determinados substantivos que, apesar de se encontrarem no singular, referem um conjunto de seres ou coisas – são os colectivos como matilha (cães) alcateia (lobos), etc

 

Advérbios e Locuções Adverbiais

 

Sistematização

 

O advérbio é uma palavra invariável (não possui género nem número) que tem como função modificar o sentido da palavra que está associado, geralmente a um verbo.

 

Exemplos:

 

Tipo

 

 

Locuções Adverbiais

 

 

Modo

assim, bem, mal, depressa, devagar, como, vagamente, à vontade

 

de propósito, com efeito, em vão, sem mais, alerta, aliás, 

 

dignamente, felizmente, etc

 

 

 

Tempo

hoje, ontem, antes, agora, já, sempre, nunca, tarde, cedo, quando

 

antigamente, depois de amanhã, por ora, quase sempre, em breve

 

anteontem, jamais, depois, actualmente, entretanto, então, ainda

 

logo, etc

 

 

 

 

 

Lugar

aqui, ali, acolá, além, perto, longe, dentro, fora, abaixo, acima

 

adiante, atrás, onde, aonde, de lado, em cima, à direita, de lés

 

a lés, por onde, até onde, além, aquém, abaixo, acima, defronte

 

detrás, algures, nenhures, etc

 

 

 

Quantidade

muito, pouco, mais, menos, demais, bastante, quase, tanto, tão

/Intensida-

excessivamente, quanto, por demais, pouco mais, pouco menos

de

nada

 

 

 

 

 

Negação

não, de modo algum, nem pensar, nem, nunca jamais, tão pouco

Afirmação

sim, mesmo, certamente, realmente, efectivamente, exactamente

 

indubitavelmente, decerto, com certeza, nem mais, nem menos

Dúvida

talvez, provavelmente, possivelmente, eventualmente, se, por

 

ventura, decerto, acaso, naturalmente

 

 

Inclusão

até, ainda, também, mesmo, inclusive, inclusivamente

 

Exclusão

só, apenas, senão, exclusive, somente, exclusivamente, única-

 

mente, simplesmente

 

 

 

Designa-

eis, cá está, aqui está

 

 

 

 

ção

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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