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Enfermagem-psicologi: O desenvolvimento da personalidade PDF Imprimir E-mail


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Espaço do universitário - Trabalhos acadêmicos - Trabalhos acadêmicos
Escrito por Milena Queiroz Gonçalves Santos   
Qui, 29 de Janeiro de 2009 12:06

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O desenvolvimento da personalidade
(psicologia - enfermagem)
 
                     A palavra personalidade tem origem na palavra grega “PERSONA”, cujo significado é máscara. Personalidade refere-se ao modo relativamente constante e particular de perceber, sentir, agir e pensar do indivíduo. Inclui habilidades, atitudes, crenças, emoções e modo de comportar-se e, inclusive os aspectos físicos de cada pessoa. Engloba ainda o modo de como todos esses aspectos se integram, se organizam, conferindo peculiaridade e singularidade ao indivíduo.
 
 3.1 O que é personalidade?
                  
                  “Personalidade, é um conjunto de qualidades que define a individualidade de cada pessoa, é expressa através do comportamento”.
                      Freqüentemente personalidade é confundida com: “Caráter” que reflete a parte da personalidade relacionada com o sistema de valores de cada pessoa e “Temperamento” que diz respeito aos aspectos emocionais e hereditários do indivíduo.
           O desenvolvimento da personalidade refere-se a uma série progressiva de mudanças, como resultado da maturação e da experiência. As aptidões, os interesses e a personalidade da pessoa mudam com o passar dos anos. Isto confirma que o ser humano não é estático, pois desde   o seu nascimento   até   a sua morte ocorrem mudanças físicas, psicológicas e cognitivas.
 
3.2 Processos do Desenvolvimento da Personalidade
 
                    Crescimento – aumento de tamanho que ocorre com o passar do tempo, devido a processos metabólicos internos. Aumento das células e dos tecidos do organismo.
                   Maturação – desdobramento de padrões geneticamente determinados de comportamento ou potencial biológico. São mudanças relativamente independentes do ambiente e diz respeito ao desenvolvimento de órgãos e de membros até que se tornem funcionais.
                         Aprendizagem – modificação no comportamento, como resultado da experiência do indivíduo com o ambiente.   
 
 
3.3 Teorias do Desenvolvimento da Personalidade
 
                    Para explicar as diferenças de personalidade existem várias teorias. Algumas se concentram no crescimento interno da personalidade, outras no efeito do ambiente externo do indivíduo e outras, ainda, enfatizam a experiência pessoal e o desenvolvimento da auto-imagem.
1. Teoria Psicanalítica – Sigmund Freud (1856-1939 ) desenvolveu a teoria da personalidade, centrada no crescimento interno ou psicodinâmica. Enfatiza a influência dos medos, dos desejos e das motivações inconscientes no comportamento e nos pensamentos.  
2. Teoria Psicossocial –   Eric Erickson (1902-1994 )     afirma que a personalidade continua a desenvolver-se durante todo o ciclo vital. Indivíduos desenvolvem uma personalidade sadia ao dominar os perigos externos e internos com soluções positivas para os problemas da vida.
3. Teoria Cognitiva – Jean Piaget (1896-1980) para cada indivíduo aqualidade da sua capacidade de solucionar problemas e sua criatividade para enfrentar os desafios da vida, dependem da sua capacidade de pensar.
4. Teoria da Aprendizagem do Comportamento – B.F.Skinner, enfatiza a aprendizagem como o processo em que a pessoa, em decorrência de suas experiências, estabelece uma associação entre dois eventos. Processo chamado de condicionamento.
5. Teoria Humanística – Carl Rogers acredita que cada pessoa é criativa e responsável, livre para fazer suas escolhas e que cada um esforça-se para obter o desenvolvimento pessoal.
 
                                                                                                                                                                                                                                                                      
4. ESTRUTURA DA PERSONALIDADE E FUNCIONAMENTO DO APARELHO PSIQUICO.
 
 
4.1 O Aparelho Psíquico – Segundo Freud.     
 
                    Para Freud, a personalidade é centrada no crescimento interno. Dá importância a influencia dos medos, dos desejos e das motivações inconscientes nos pensamentos e no comportamento do indivíduo.
                   Conforme a teoria freudiana, três elementos constituem a base de todo o estudo da personalidade, são eles: Id, Ego e Superego.   
* ID – se compõe de instintos biológicos, inclusive impulsos sexuais e agressivos, é o irracional do indivíduo. Não há preocupação nem compromisso com a realidade. É totalmente inconsciente e atemporal.
* EGO – obtem energia do Id, mas o controla por meio do contato com a realidade externa.  Tem a tarefa de garantir a saúde, a segurança e a sanidade da personalidade. Em parte é consciente e em parte inconsciente.
          * SUPEREGO – se desenvolve a partir do Ego, através do ambiente cultural e do aprendizado decorrente de contatos com os pais, com a sociedade, com a família. Atua como juiz e depósito de códigos morais, regras e normas. Quando uma pessoa se comporta contra os padrões do seu superego, sente-se culpada.
                   Estes sistemas estão em constante conflito e acordos psíquicos: com o Ego controlando as exigências do Id e o Superego controlando o comportamento do Ego.
 
 
4.2 Os Mecanismos de Defesa do Ego.
 
                  Um dos principais problemas da mente é encontrar formas de lidar com a ansiedade provocada por um aumento de tensão ou desprazer, em qualquer situação real ou imaginária, quando ameaça alguma parte do corpo ou da mente. Frente tal ansiedade o indivíduo pode agir de duas maneiras: ou ele lida diretamente com a situação, resolvendo o conflito ou o enfrenta deformando ou negando a própria situação.
                   Como o Ego é que protege a personalidade, ele cria “mecanismos de defesa” que são inconscientes, e que servem para diminuir tensão e evitar problemas que fazem o indivíduo sofrer, ajudando-o a descobrir as causas do seu comportamento. São eles:
* TRANSFERENCIA – é como uma válvula de escape contra impulsos que não podemos deixar escapar diretamente, ou seja, o indivíduo descarrega sentimentos reprimidos em pessoas menos perigosas do que as que inicialmente provocaram a emoção. Ex. o indivíduo fica com raiva do chefe, como não pode expressa-la, quando chega em casa briga com o filho.
* NEGAÇÃO - Consiste em negar a realidade, quando muito dolorosa, para evitar sofrimento. Recusa-se a acreditar que alguma coisa desagradável esteja ocorrendo. Ex. a morte de um ente querido, uma doença grave, uma grande perda.
* COMPENSAÇÃO (ou formação reativa) – substitui atitudes, sentimentos que são exatamente opostos ao desejo real. Esforça-se intensamente para compensar determinada fraqueza ou deficiência. Ex. a mãe que superprotege o filho, quando de verdade o rejeita.
* PROJEÇÃO – quando o indivíduo atribui a outro, seus sentimentos como: raiva, inveja. Ex. Fingir que outras pessoas cometeram nossos erros.
* INTROJEÇÃO (ou Identificação) – considera como próprio algo que é externo.   O indivíduo sente satisfação pessoal com o sucesso e as realizações de pessoas e grupos. Ex. quando a seleção brasileira de futebol ganha, os brasileiros se enchem de orgulho.
* RACIONALIZAÇÃO – é o falso exercício de auto- justificação. Quando estamos impossibilitados de aceitarmos os verdadeiros motivos de uma ação, procuramos justifica-la por uma serie de razões intelectuais em nada semelhante aos motivos originais. Usa pretexto, fornecendo uma razão diferente da verdadeira para aquilo que estamos fazendo. Ex. bater no filho e justificar que é o melhor para ele próprio.
* REPRESSÃO – consiste em afastar do consciente determinada idéia. O Ego impede que todos os desejos, sentimentos e impulsos insuportáveis atinjam a nossa consciência. Esquecer ‘inconscientemente’ experiências desagradáveis. Ex. esquecer de ir ao dentista.
* REGRESSÃO – retorno a um nível de desenvolvimento anterior, mais simples e infantil, agir de modo imaturo. Ex. a criança volta a chupar o dedo quando do nascimento de um irmãozinho.
* SUBLIMAÇÃO – o indivíduo redireciona os seus impulsos libidinais para algo socialmente aceito e valorizado, ou seja, direcionar desejos inaceitáveis para comportamentos socialmente aceitáveis. Ex. a pessoa com vida sexual frustrada, pode voltar-se mais para os estudos.
 
 
4.3 OS MECANISMOS DE DEFESA DO EGO E O PROFISSIONAL EM ENFERMAGEM.
 
 
Todo paciente gosta de um profissional que lhe ofereça conforto físico e mental e que também entenda as suas dificuldades emocionais, causadas pela doença’.
 
 
                   A compreensão dos mecanismos de defesa capacitará o técnico de enfermagem a ajudar o paciente e sua família. A ‘negação’, por exemplo, é um mecanismo comum quando se apresenta um diagnóstico grave ou no momento da morte. Deve-se permitir que o paciente e sua família neguem a situação até que estejam preparados para enfrentar a realidade. Comumente, o paciente irá exercitar a ‘regressão’ por meio de lágrimas, tremores ou mesmo exigências de um tratamento especial. Alguns podem ainda retrair-se: devemos permitir que o façam. Muitos clientes ‘intelectualizam’ a respeito de uma doença grave ou de um prognóstico sombrio, da mesma forma que os profissionais em enfermagem e outros membros da equipe médica.
                   Podemos observar, ainda, a ‘identificação’ entre os pacientes que dependem intensamente das orientações e da ajuda do profissional da enfermagem. Estes pacientes esperam que todas as suas necessidades sejam atendidas e que nada se espere deles. É importante que o profissional perceba que, a ‘identificação’ pode ser usada de modo construtivo para o ensino de hábitos de saúde apropriados.
                   Pacientes que precisam lidar com o estresse de uma doença grave podem desviar a culpa para o profissional de enfermagem (projeção). Podem queixar-se de que o profissional não esta cuidando bem dele, quando o profissional é competente e atencioso. O profissional e toda a equipe não devem ficar com raiva: devem sim compreende-los e incentiva-los a explorar os aspectos realistas de sua situação.
                   Todos os indivíduos bem ajustados ou não, fazem uso de mecanismos de defesa, na vida cotidiana. Indivíduos bem ajustados raramente usam mecanismos de defesa e, quando o fazem buscam formas socialmente desejáveis, ao passo que, os indivíduos mal ajustados (inclusive psicóticos e neuróticos) usam mecanismos de defesa com freqüência e de modo inadequado.
                 Assim, quando utilizados com moderação, os mecanismos de defesa são inofensivos e nos ajudam a enfrentar com facilidade conflitos e frustrações, protegendo nosso Ego. No entanto, o uso excessivo e persistente desses mecanismos passa a ser nocivo, pois eles não solucionam conflitos e frustrações, mas apenas ajudam o indivíduo a se adaptar a experiências angustiantes.
 
 4.4 Fases Psicossexuais.
 
                   Segundo Freud, todas as pessoas passam por cinco fases chamadas psicossexuais.
 
            * FASE ORAL – desde o nascimento até um ano de idade. O prazer é obtido pela estimulação da boca como, por exemplo, mamar ou chupar o dedo.
            * FASE ANAL – ocorre durante o segundo ano de vida, quando a criança passa a adquirir o controle dos esfíncteres. Ela obtem o prazer ao manusear ou expelir as fezes.
            * FASE FÁLICA – ocorre por volta dos três aos seis anos. O prazer é obtido quando a criança acaricia os órgãos genitais.
           *FASE DE LATÊNCIA – ocorredos seis aos doze anos. É chamada de latência porque os interesses sexuais são reprimidos, permanecendo adormecidos até a puberdade. É o período de formação de turminhas e da lealdade ao grupo.
*FASE GENITAL (Adolescência) – começa na puberdade. Os jovens começam a vivenciar paixões e turbilhões emocionais.
                    Problemas encontrados em qualquer fase, seja de privação ou excesso de tolerância, podem causar fixação naquela fase. Para Freud, os primeiros seis anos da infância, são os mais críticos para o desenvolvimento da personalidade. O que ocorre com o indivíduo em sua vida futura é modelado durante esses primeiros seis anos.
 
 
4.5 Dinâmica da Personalidade.
 
                   A mente é a soma dos diversos processos mentais, é uma função do corpo e não existe fora dele. Freud afirma que nada acontece por acaso e que cada evento mental é motivado pela intenção inconsciente ou consciente e é determinado por fatos que o precederam. Assim sendo os processos mentais podem ser:
 
* CONSCIENTE – consiste nas atividades mentais que percebemos como: pensamentos e sentimentos. Envolve fatos recentes. Funciona apenas quando o indivíduo está desperto.
* INCONSCIENTE –    é a maior parte da mente,          mas o indivíduo não tem acesso direto a suas informações. Contém elementos instintivos que não são acessíveis à consciência.
         *PRÉ-CONSCIENTE (ou subconsciente) – é a parte da mente onde parte das nossas idéias e reações são armazenadas e parcialmente esquecidas. Faz parte do inconsciente, podendo se tornar consciente ou não. O subconsciente impede que certas memórias perturbadoras venham à nossa consciência.
  
 
 
 4.6 A PERSONALIDADE E O TÉCNICO EM ENFERMAGEM.
 
                   O bom entendimento da personalidade é que irá ajudar o técnico em enfermagem a prever seu próprio comportamento e o comportamento de seus pacientes. Para que o profissional da saúde seja bem sucedido, ele deverá ter uma personalidade agradável, qualidades profissionais (dignidade, integridade, capacidade mental, equilíbrio, segurança, auto-confiança) além de qualidades pessoais (simpatia, discernimento, cordialidade, compreensão).
                  O técnico em enfermagem precisa ainda: ter boa saúde, aparência bem disposta e asseada, ter força de vontade, valores morais, senso de humor, capacidade de organização e de ensino, auto controle e boa relação interpessoal.
 

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