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Vestibular - Portugues para Vestibular
Escrito por Milena Queiroz Gonçalves Santos   
Índice do Artigo
Resumo frase, oração e período
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Resumo frase, oração e período

1 – SUBFRASES
 
 
Intro – As definições “figura” e “motivo” tem sido, por muitos escritores usadas com o mesmo significado. Porém, deveria haver uma distinção entre elas. Para tal segue as definições mais adequadas:
Figuração –termo que descreve um curto e compacto grupo de notas que tem um reconhecível grau de unidade, seja ele motivo ou figura.
Motivo -- um grupo linear de notas, de duração indeterminada, usada com uma força ou persistência tal que tenha maior status que uma figura.
Figura -- pequeno grupo de pequeno significado motívico, e que ocorre numa linha melódica ou no acompanhamento.
Motivo Independente –uma pequena unidade melódica isolada que tem em si mesma uma completa idéia musical. Está relacionada ao motivo principal.
Motivo Dependente – é o motivo que usado com outro material completa à idéia musical.
Motivo Derivado –o motivo derivado de um tema prévio.
Motivo Espontâneo –o motivo que não deriva de um tema anterior, o inverso do derivado.
Figuras Motívicas –é a designação usada para descrever pequenas figurações, usadas em uma série de linhas melódicas depois do motivo original (veja exemplo 6). É menos aplicável a figurações mais complexas, ela tende a reter a qualidade independente do motivo, e não é necessariamente usada repetidas vezes.
Melodia Motívica –a melodia baseada no uso de figuras motívicas
Melodia Não Motívica -- qualquer melodia na qual nenhuma figuração é usada com a constância suficiente que a justifique como um motivo.
 
Algumas das definições se sobrepõe, por exemplo, o motivo pode ser independente e espontâneo ou independente e espontâneo ou derivado e dependente ou independente.
Uma área de possível desacordo poderá ser encontrada no que constitui a “consistência suficiente” para estabelecer o motivo.
Um fator mais importante é se tem ou não uma função peculiar e indispensável em determinar o conteúdo e espírito melódico de uma composição. Um motivo, opostamente à figura deve provar a ele mesmo sem nenhuma dúvida.
Motivos podem ser identificados somente se examinados no seu contexto musical. Em todos os casos o estudante tem de examinar a composição inteira, se disponível.
 
 
Motivos independentes
 
Eles trazem a sua mensagem inteira de uma só vez, embora possam ser repetidos ao longo da composição. A maioria dos exemplos são curtos e podem ou não ser derivados do tema. Na verdade, eles ganham força se forem melodicamente removidos de outro material.
 
Exemplo 1 O motivo seguinte é ouvido no começo de uma sinfonia. Ele é invertido no segundo compasso e mais tarde se reflete em várias figurações até a introdução do compasso 16. Em sua primeira apresentação ele não é associado diretamente com outro material melódico, mas é uma unidade independente em si mesmo.
 
Exemplo 2O motivo do exemplo 2 é completamente inteiriço e não derivado, assegura sua autoridade instantaneamente por criar uma atmosfera de mistério e suspense.
 
Exemplo 3Neste exemplo o motivo de 3 notas forma o ingrediente mais característico de um trabalho bem conhecido. É usado mais ou menos continuamente nas sessões de abertura e fechamento, mas sua independência como motivo está além de discussão.
 
Exemplo 4   O motivo no exemplo 4 tem o acompanhamento como função temática. Como os exemplos 1 e 3, é baseado na relação tônica – dominante. Ele tem uma energia que compete facilmente com a serenidade do coral e do contraponto sobre ela. Deve-se notar o motivo do coral também.
 
Exemplo 5 O motivo majestoso de três notas abre a 3ª. Sinfonia de Brahms. A terceira nota coincide com a primeira nota do tema primário. O motivo é usado também na linha do baixo e ocasionalmente como pivô em modulações.
 
Todos os motivos acima tem atributos em comum. São todos espontâneos (não derivam de temas anteriores). Eles tem qualidades melódicas pronunciadas, bases rítmicas firmes e todas elas se contém por si mesmas.
 
Deve-se lembrar que esses motivos não são inevitavelmente e inerentemente independentes. Eles só existem se o compositor os quiser assim. Se a confusão surgir em questão de um motivo ser independente ou dependente, pergunte-se: ele está sendo usado por si mesmo, ou está sendo usado para construir uma longa linha na qual ele não é nada mais que um detalhe? No começo da 5ª Sinfonia de Beethoven, o famoso motivo de 4 notas é ouvido duas vezes. Neste ponto ele está sozinho, é um motivo independente. Mas imediatamente após isso, ele é ouvido em uma rápida série de seqüências na qual ele se torna apenas o material motívico de uma idéia maior. Ao longo da peça este motivo muda de independente para dependente diversas vezes.
Um motivo independente deve possuir algumas qualidades que o ouvido retém e apreende rapidamente.
 
 
Motivos Dependentes
 
O uso repetido de motivos curtos para construir longas linhas melódicas é bem comum. Esses motivos se conectam em corrente, assim dizendo, motivo original não se mantém de pé por si só, mas passa por reinterações ou modificações. Pode com excelente lógica ser chamado de figuras motívicas, desde que tenham nascido como motivo. O status de figuração original como motivo genuíno é seguro se iniciado com uma figura predominante para uma composição ou parte significativa de uma composição.
 
Exemplo 6 O exemplo seguinte ilustra bem a prática comum de construir uma melodia motívica. O significado das modificações motívicas pode ser visto no exemplo 6. Motivo como é ouvido no primeiro compasso é invertido nos compassos 2, 3 e 4, e assim caminha constantemente por mudanças de intervalo culminando numa 7a menor no compasso 8.
 
Exemplo 7   Um motivo de duas notas também é comumente suficiente.
 
Exemplo 8O Capriccio de Brahms pode ser mal interpretado se tocado inexperientemente. A melodia, baseada num motivo de duas notas, é estancado (se tocado inexperientemente). As figuras de semicolcheias preenchem a harmonia, mas não podem roubar a melodia.
 
Exemplo 9 (10 e 11) Partes de quatro outros motivos melódicos são dados abaixo.
 
Exemplo 12A natureza motívica de muitas destas melodias é disfarçada pelas técnicas de elaboração e expansão como nos trechos seguintes. Aqui o motivo, que é o aspecto mais importante da melodia desse tema, é simplesmente e vigorosamente definida no compasso 1. Ela é elaborada no compasso 2, e a versão elaborada é então repetida duas vezes no compasso 3. Uma seqüência exata do motivo ocorre no compasso 5 (antecipado no compasso 4). A figuração do compasso 7 para o 8 é obviamente derivada do motivo. A versão diminuída é ouvida no compasso 10; exceto por sua versão diminuída, a frase que começa no compasso 9 é independente do motivo. O compasso 13 é um desenvolvimento da versão diminuída no compasso 12.
 
Exemplo 13 Nós temos examinado o uso de motivos independentes em muitos exemplos de construções melódicas motívicas. Deveria ser de interesse incluir um trecho de uma composição na qual toda nota seja a extensão desenvolvida de um único motivo. O motivo empregado por Bartók (exemplo 13) é longo o bastante para ser considerado uma pequena frase, mas por ser compacto e especialmente pela maneira na qual o compositor a usou é estabelecido como um motivo. Só na primeira metade dessa pequena peça ele é citado. A estrutura é de um cânone com um tom intervalar variável. Observe que o motivo é progressivamente encurtado e é invertido dos compassos 13 até o final.
 
Exemplos 14 (15 e 16)  Esta concentração motívica que é vista nos exemplos 6 até o 13 não é rara, mas é incomum. Mas freqüentemente, como os três próximos exemplos mostram, os motivos e figuras motívicas são dispersados entre outras figuras que são necessárias para preencher as cadências, completar frases ou conectar frases.
 
Exemplo 15 Não deve haver dúvida que o primeiro motivo neste tema de Schumann – ele (motivo) inicia toda a frase. As figuras nos compassos 6 e 8 podem ser aceitas como motivos secundários, uma impressão que é aumentada se ouvida a peça inteira.
 
Exemplo 16O exemplo 16 deveria ser considerado como frase-grupo de 16 compassos (não 17 como Debussy ambiguamente o arranjou). Os compassos estão numerados de acordo. O motivo, indicado no compasso 1, é a essência da qual a primeira melodia cresce. Dos compassos 8 até o 15, a linha melódica enquanto complementa os primeiros 8 compassos, segue um curso independente sem nenhuma figura emergente como um novo motivo.
 
Em todos os exemplos até este ponto, será visto que as melodias motívicas podem ser divididas rusticamente em duas categorias: aquelas inteiriças, ou em maior parte, de figuras motívicas usadas em estilo-corrente (ligadas à outras figurações), e aquelas em que há uma mistura livre de elementos motívicos e não motívicos. 
 
 
Motivos Derivados
 
            Eles são produzidos por um processo de fragmentação onde uma porção do tema é extraído por uso estendido (ou demasiado uso). O resultado pode se fixar bem como critério fidedigno da capacidade do compositor.
         Como uma técnica composicional, o motivo derivado veio a existir na segunda metade do séc. XVIII. Os escritores de sonatas e sinfonias anteriores a esse período ficavam geralmente contentes em repetir temas, mudando somente a tonalidade, ao invés de um desenvolvimento genuíno. Porém, quando sua utilidade foi demonstrada, a fragmentação temática começou a ser adotada pelos compositores ocidentais (geralmente). Essa técnica floresceu no Romantismo e é usada ainda, além de reconhecida como uma das ferramentas de unificação mais potentes na música.
 
         Exemplo 17 Como ilustração, a cadência ao primeiro movimento do Concerto pra piano de Shumann em La Maior provê um exemplo brilhante e extraordinário de um motivo derivado. O motivo é emprestado do tema de abertura, onde ele fica quase escondido entre o forte primeiro compasso e o clímax que se segue.
         Ao estudar a análise, note cuidadosamente as distinções seguintes:
 
         Repetição – O ressoar de uma passagem (o reaparecimento dela) na mesma voz e no mesmo tom (tonalidade ou nota).
            Seqüência – O ressoar de uma passagem na mesma voz mas em um tom diferente.
            Imitação – O ressoar de uma passagem em uma voz diferente e em qualquer tom.
 
         Exemplo 18 A codetta final do primeiro movimento da 2ª Sinfonia de Brahms é igualmente uma rara exibição de virtuosidade motívica. Diferentemente da cadência de Shumann, a codetta de Brahms é baseada em dois motivos. O primeiro é espontâneo e é inicialmente ouvido nas cordas graves como um motivo independente, no início da Sinfonia. O segundo é derivado das primeiras três notas do tema de abertura. A codetta é citada inteiramente, mas é reduzida para uma versão para piano. As letras A e B são usadas para identificar os motivos nos primeiros cinco compassos da Sinfonia (também citada) e as figuras motívicas baseadas neles na codetta. O motivo A é ouvido como um motivo de três e quatro notas. O uso da diminuição no tratamento deste motivo será notado também. Outros aspectos são a sobreposição (stretto) de A nos compassos 13, 14 e 15, e o uso enfático e independente de B com seus valores iniciais (de duração) nos compassos 17, 18, 19 e 20 (trompas e trompetes).
 
 
         Melodias Não Motívicas
 
         Consistência de figuração é esperada em qualquer peça musical. Essa consistência por si só, no entanto, não garante a presença de um motivo. As melodias que nós estudamos são dominadas por figurações características que formam inteiramente ou parcialmente uma base motívica para uma composição ou seção de uma composição. Em todo caso o motivo pode ser facilmente isolado.
         Em contraste, não faltam melodias que desafiam tal análise, como no próximo exemplo.
 
         Exemplo 19 Ao construir suas missas, Palestrina evitou a estrutura simétrica nas frases, seqüências e outras técnicas que poderiam produzir figurações repetitivas.
 
         Exemplos 20, 21 Mas tais frases não são peculiares à música antiga. Qualquer linha que se mova por figurações diferentes produzirá um efeito não motívico.
 
         Estas melodias são livres das restrições de padrões pré-estabelecidos. Não há um momento motívico. O compositor que as pode sustentar com sucesso por longos períodos deve ter um grande talento e um igual bom julgamento.
 
 
         Conclusões
 
         Um motivo independente está sozinho e não é usado para construir uma longa linha melódica. Ele pode ser repetido em vários lugares em uma composição como uma unidade independente.
         Se um motivo não é independente, seu uso envolve a repetição, geralmente modificada. A repetição pode ser contínua (figuras motívicas) ou dispersada entre material não motívico. Nos dois casos o motivo é usado para construir uma longa linha melódica. Estes motivos são definidos como motivos dependentes.
         Figuras podem ser bem efetivas mas não tem o poder de um motivo. O termo “figura” inclui grupos fora da linha melódica ( padrões de acompanhamento, etc. )
         Um motivo pode ter alterações como: inversões, diminuições, aumentos, movimento retrógrado, mudanças de intervalo, ou combinações destes, a única regra é que ele deve reter uma relação reconhecível com sua forma original. Tanto o motivo derivado como o espontâneo deve ser usado independentemente ou dependentemente.
         Motivos fortes estão mais aptos a ocorrer em músicas de movimento rápido, como marchas e danças. Elas tem uma tendência natural de separar a melodia em figurações de acordo com algum aspecto dado. Por esta razão eles prevalecem menos em melodias de longos legattos de um caráter mais lírico.
         A presença ou falta de um motivo não é um base válida para julgar o valor de uma melodia, que pode ter como intento estimular fisicamente, divertir, inspirar reverência patriótica, ou simplesmente existir como criação de arte sem intenção emotiva. Motivos e figurações são acidentais para esses fins (com o sentido de: simplesmente acontecem, independente da função da música em si).
          
        
2 – Frases e Frase-Grupo(s)
 
 
        Qualquer definição específica de “frase” terá, provavelmente, discordância. Uma revisão do que foi escrito sobre forma musical no último século tem uma vasta gama de diferentes conceitos. O respeitado Dicionário de música de Harvard reconhece que o termo é usado com tão pouca exatidão e uniformidade que seria raramente passível determinar uma definição específica.
         Definições como “frase-grupo” e “período” devem ser consideradas com mais segurança.
 
         Frase – Unidade melódica tão importante como a figura ou o motivo. A sua duração varia imensamente. A frase deve estar contida em um único compasso, especialmente se o compasso é longo com fórmulas como 6/4 ou 12/8, ou então pode estar estendida para 8 ou mais compassos, dependendo de sua métrica, ritmo, tempo e forma. 
         Frase-Grupo – Uma mais ou menos unificada sucessão de frases que podem ou não terminar em uma cadência completa. Muitas frase-grupos unem-se em transições (passagens pontes), ou então são terminadas, sem cadência.
         Período – Uma frase-grupo que termina em uma cadência completa. Ele inclui qualquer arranjo cadencial, por mais ortodoxo ou exótico que seja, que traga unidade à uma conclusão. Nós podemos também incluir aqui uma única frase independente que termina em uma cadência e pode se estabelecer sozinha como um período assim como uma frase.
 
 

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